
Grafites revelam o cotidiano da população
Dessa forma surgem expressões analógicas de diferentes tribos que usam a arte como forma de manifestações, entre elas vou destacar o grafite.
O grafite é um dos mais autênticos procedimentos artísticos da sociedade contemporânea, teve origem no Renascimento com técnicas de decoração mural sobre um suporte de fundo escuro, passava-se um revestimento claro, o qual, depois de seco, era raspado na forma das gravuras desejadas.
Os desenhos são crônicas da época e refletem os medos e esperanças inconscientes da população que os gerou, conhecidos por se tratarem de artistas anônimos, poetas ou desenhistas ao mesmo tempo. O movimento apareceu no final dos anos 70 em Nova Iorque, por conta das minorias excluídas da cidade. Com a revolução contracultural de 1968, surgiram nos muros de Paris as primeiras manifestações.
Atualmente, no Brasil, o grafite começou a se desvincular de sua irmã pobre e inconveniente, a pichação, e conquistou algum reconhecimento cultural. Entretanto, ainda existem pessoas que confundem os dois métodos.
Diferentemente do grafite, cuja preocupação é a ordem estética por ser considerada uma arte de rua, a pichação tem como objetivo a demarcação de territórios entre grupos, atitude esta classificada como vandalismo devido a sua prática.
Pichação em muro
O exercício de pichar pode levar uma pessoa á cadeia. A mais recente arma contra a ação dos pichadores é o artigo 65 da lei dos crimes ambientais, número 9.605/98, existente desde1998 e que estabelece punição de três meses a um ano de detenção e pagamento de multa.
Na cidade de São Paulo, por exemplo, os muros, prédios, praças, edifícios públicos e privados, já viraram alvos dos usos ilegais das latas de tintas, sprays e outros materiais utilizados. As pessoas que têm o costume de pichar, geralmente não são membros de gangues e disputam espaços com esses elementos, com isso, acabam contribuindo para a violência nas ruas da capital.
Uma solução criativa para resolver esta situação seria transformar os muros de edifícios em telas de arte. Outro recurso é levar os pichadores para conhecer a arte na forma de grafite.
Um modelo que segue este tipo de visão se trata do grupo “Gente Muda” do Capão Redondo, zona sul da capital paulista, que vem colorindo a cidade com seu protesto em forma de arte. Seus desenhos questionam atitudes da sociedade e, ao mesmo tempo, apontam possibilidades de mudança, através de personagens que refletem a vida cotidiana da população. Já são mais de 100 pinturas espalhadas pelos muros, antes sujos da região.

Grafite exposto na vernissage Sentidos-Gente Muda
Comentários